Notícias

Tese revela perfil de acidentes no trânsito

Pedestres, motoristas, inocentes. Qualquer pessoa está sujeita a vitimar-se no trânsito. Mesmo diante de tantas leis, o número de acidentes continua alto. Trinta minutos perdidos em uma das ruas do campus da Unicamp em Barão Geraldo ao lado da psicóloga, funcionária e pesquisadora na universidade Marisa Lúcia Fabrício Mauro permitem registrar falhas por parte de motoristas e pedestres qua se esqueceram da importância da faixa de segurança e da utilidade do velocímetro e do freio. Os perfis são inúmeros e fazenm parte de um estudo epidemiológico realizado pela pesquisadora . A pesquisa foi apresentada como tese de doutorado de Marisa dia 10 de agosto, no Anfiteatro da Coordenadoria de Póa-Graduação da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp. O estudo tem como objetivo traçar um perfil da situação de acidentes de trânsito em Campinas.

Sob o título "Acidentes de trânsito: perfil epidemiológico de vítimas e caracterizações de alguns traços de personalidade de motoristas infratores em Campinas", o trabalho envolveu um levantamento de dados oficiais sobre os acidentes de trânsito, consulta a boletins de ocorrência policial registrados no ano de 1996, entrevistas com vítimas atendidas pelo Pronto Socorro Municipal Dr. Mário Gatti e pelo Hospital de Clínicas da Unicamp em 1997 e realizou uma amostra de sujeitos que participaram do Grupo de Reeducação para Infratores de Trânsito (Grit), encaminhados pela I Vara Criminal do Fórum de Campinas. O trabalho de reeducação foi realizado pela própria pesquisadora, como medida educativa para os infratores que participaram do estudo.

Os instrumentos utilizados por Marisa para conquistar um resultado bem-sucedido foram um roteiro para o levantamento dos dados oficiais, um roteiro semi-estruturado para a entrevista com as vítimas e um inventário contendo 16 fatores de personalidade aos infratores integrantes do Grit.

Entre os resultados, Marisa revela que uma grande proporção de vítimas e infratores são jovens (até 27 anos). Das vítimas fatais, a maior freqüência foi de acidentes do tipo atropelamento e das demais, o número de atropelamento neste caso ficou numa média de 16%. Em 50% dos atropelamentos, o autor do crime evadiu-se do local sem prestar socorro.

Nas entrevistas realizadas com vítimas de acidente de trânsito destacou-se um número elevado de motoristas de motocicleta (32,8%). A pesquisadora observou que um grande número de motoristas que confessam usar bebida alcoólica com certa freqüência (32,3%) revelam ter usado bebida à noite.

A pesquisa pontua uma relação estatística significativa entre motoristas e alta velocidade; motoristas e ultrapassagens perigosas; motoristas e jornada de trabalho acima de 48 horas; motoristas com histórias de acidentes anteriores também com jornada de trabalho acima de 48 horas; motoristas com histórias de acidentes anteriores e pilotando motocicletas; motoristas com preocupações nos 30 dias antes do acidente e alta velocidade; motoristas com preocupação nos 30 dias do acidente e dirigindo motocicletas.

No perfil de personalidade, os traços destacados por Marisa são sujeitos com tendência a comportamentos expansivos, afetivos, despreocupados, impulsivamente animados, desenvoltos, desembaraçados e controlados, socialmente corretos. A pesquisa revela que as hipóteses de que as vítimas e os infratores de trânsito apresentem altas porcentagens de risco para acidente identificadas por meio de comportamentos de risco foram consideradas nulas. Por meio do trabalho, ela considerou que são verdadeiras as hipóteses de que os infratores e as vítimas de acidente de trânsito, em decorrência da experiência vivida, têm tendência a relatar mudanças de comportamento no tráfego, pois a experiência do acidente mobiliza mecanismos reparatórios nos sujeitos.

Marisa é funcionária da Unicamp desde março de 1984. Muitos funcionários da Unicamp contratados pela universidade depois desta data tiveram seus exames psicotécnicos admissionais realizados pela psicóloga. Atualmente, ela trabalha na área de Psiquiatria da Faculdade de Ciências Médicas. O projeto de doutorado teve a orientação do professor Joel Sales Giglio.