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A parte mais sensível do corpo humano

Para Szinvelski, consciência no trânsito depende da coerção social
Para Szinvelski, consciência no trânsito depende da coerção social - Foto: DetranRS

Ildo Mário Szinvelski, diretor-geral do DetranRS

Este mês de fevereiro marca o aniversário de um dos mais eficientes programas de segurança no trânsito implementados no Estado. A Balada Segura completa sete anos de fiscalização permanente do uso do álcool por motoristas e comemora incontáveis vidas salvas. Em Porto Alegre, onde tudo começou, o balanço aponta para uma redução significativa dos acidentes nas noites e madrugadas.

Mas a consistência da fiscalização não é o único fator importante nessa história. A consciência do risco de determinados comportamentos é fundamental para a mudança de comportamento no trânsito. E essa é uma consciência construída coletivamente. Quanto maior a desaprovação social diante de uma conduta imprudente, maior é a possibilidade de a lei ser cumprida.

A vigilância do Estado parece pesar menos do que o controle dos pares no cumprimento das leis. Diferentemente do que diz o senso comum, o ponto mais sensível do corpo humano não é o bolso, mas o ego. No geral, a maior preocupação das pessoas é como a conduta vai repercutir aos olhos dos outros, quais os reflexos para a sua imagem pessoal.

A maior permissividade a condutas inadequadas interfere fortemente no momento de optar ou não por um comportamento de risco, já que “todo mundo faz”. E dessa permissividade social decorrem elevados índices de acidentalidade, com prejuízos sociais irreversíveis, inclusive na saúde pública, na previdência e na economia do país.

Mas consciência do risco e maior coerção social parecem vir junto com a maior fiscalização, as duas tendências se retroalimentando. Pesquisas sobre comportamento no trânsito mostram que as condutas com maior probabilidade de serem punidas coincidem com aquelas que as pessoas mais reprovam.

A Balada Segura segue firme e forte, crescendo a cada ano, em intensidade e extensão. A mídia nos mostra cotidianamente as consequências de comportamentos de risco e a Justiça tem sido mais dura com os crimes de trânsito. É preciso que todos nós também não toleremos o comportamento de pessoas que utilizam veículos como armas. Do nosso olhar de reprovação para quem assume o risco de matar no trânsito depende o nascimento de uma nova consciência.

*Artigo publicado originalmente em Zero Hora de 02 de fevereiro de 2018.

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